O Superior Tribunal Militar (STM) decidiu, no último dia 19, por unanimidade, acatar a Representação para Declaração de Indignidade para o Oficialato, proposta pelo Ministério Público Militar (MPM), contra um Capitão-de-Corveta Reformado da Marinha do Brasil.

O Oficial foi condenado em 2024, com trânsito em julgado em 2025, à pena de 4 anos, 2 meses e 12 dias de reclusão pela prática de peculato-furto em continuidade delitiva (duas vezes). A condenação, superior a dois anos, levou o Oficial a julgamento no STM para a perda de posto e patente, conforme previsto na Constituição Federal e no Código Penal Militar.

O crime ocorreu em 2012, enquanto o militar exercia a função de Chefe do Departamento de Máquinas (CHEMAQ) da Corveta Frontin, atracada na Base Naval do Rio de Janeiro. Segundo os autos, o então Capitão-de-Corveta valeu-se do cargo para subtrair, em duas ocasiões (25 de março e 21 de maio de 2012), um total de 118.500 litros de óleo diesel do navio.

O desvio foi realizado em conluio com um civil representante de uma empresa de transportes. Para executar a subtração, o Oficial utilizou caminhões-tanque em plena luz do dia e operou de forma incomum, sem comunicar seus superiores. Aos subordinados, ele apresentou a falsa premissa de que estaria apenas retirando "meros resíduos oleosos".

O combustível desviado foi avaliado em R$ 346.200,00 (em valores históricos).

O Acórdão condenatório destacou que a conduta configurou um crime funcional contra a administração militar, sendo o Oficial o principal responsável por organizar toda a trama. Ele chegou a usar seus subordinados para dar ares de legalidade à ação, independentemente da qualidade do combustível ("limpo ou contaminado").

Além disso, foi constatada uma movimentação financeira atípica do Oficial, com um ingresso de recursos alheios ao soldo no valor de R$ 1,5 milhão entre 2011 e 2012. Deste montante, R$ 80 mil vieram de uma das empresas do corréu civil, valor que o STM concluiu ser antecipação de pagamento pela subtração do combustível.

O Capitão-de-Corveta também foi condenado por ato de improbidade administrativa e pelo Tribunal de Contas da União.

O ministro relator general de exército Odilson Sampaio Benzi opinou que a conduta do Oficial, de grande gravidade, demonstrou completo descaso e desprezo pela Força Armada. O crime de peculato maculou sua honra, o pundonor militar, o decoro da classe e a imagem da Marinha do Brasil, atentando contra a moralidade administrativa e a relação de confiança e lealdade com a Administração Pública.

 

Representação p/ declaração de Indignidade/Incompatibilidade nº 7000586-51.2025.7.00.0000/DF

 O Superior Tribunal Militar (STM) realizou, nesta terça-feira (25), o evento “Entrevistas sobre Discurso de Ódio Racial”, promovido pela Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação da Justiça Militar da União (COMPREV-JMU). A ação integra a programação dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Discriminação Racial e reuniu autoridades para debater o avanço do discurso de ódio e seus impactos sobre grupos vulneráveis.

Ao abrir o evento, o vice-presidente do STM, ministro Francisco Joseli Parente Camelo, destacou que o discurso de ódio ameaça a dignidade humana e não é apenas um ato de intemperança verbal. “Trata-se de uma manifestação que destrói pontes, reforça divisões e ofende os princípios fundamentais que sustentam uma sociedade democrática: o respeito à diversidade”, afirmou.  

O ministro ressaltou que, no âmbito da Justiça Militar, a manutenção da ordem e disciplina nas Forças Armadas não se resume a proteger estruturas hierárquicas, mas também de assegurar que nenhuma pessoa sofra discriminação. 

A ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Vera Lúcia Santana de Araújo, reconhecida como uma das principais vozes do poder público pela igualdade racial, trouxe uma análise aprofundada sobre a reprodução estrutural da violência e do racismo no país. Ela destacou que o discurso de ódio não surge isoladamente, mas se apoia em estereótipos históricos enraizados. “O discurso de ódio só encontra eco porque existe um imaginário social que criminaliza o corpo negro. Antes de qualquer agressão verbal, há uma marca que antecede a todos nós, e é essa marca que legitima desigualdades e violências cotidianas”, afirmou.

Ela também chamou atenção para o modo como as redes sociais aceleram a difusão de conteúdos agressivos e discriminatórios. De acordo com a ministra, as redes sociais promovem engajamento mais rápido do discurso de ódio do que do discurso de paz.

Em sua fala, a ministra substituta do TSE, lembrou que, apesar de títulos, funções e conquistas profissionais, a cor da pele ainda define a forma como muitos são percebidos e tratados. “A minha negritude chega antes de qualquer título que eu possa ostentar”, afirmou, ressaltando que essa realidade revela o quanto o discurso de ódio e as desigualdades raciais permanecem enraizadas no país.

O presidente da COMPREV, juiz federal da Justiça Militar Jorge Luiz de Oliveira, defendeu que a efetivação plena da Constituição seria suficiente para combater essas práticas. “Podemos construir até legislações mais modernas, mais específicas, mas a Constituição nos basta em termos de direitos e garantias em relação ao discurso de ódio”, afirmou.

Segundo ele, a compreensão da diversidade é a chave para superar práticas discriminatórias. “Nós não vivemos em um mundo de exclusividades, vivemos em um mundo de diversidade. No dia em que o ser humano entender isso não precisaremos de legislações específicas sobre discurso de ódio”, finalizou.

 

 

 

JAN-6727_b.jpg

JAN-6836_c.jpg

JAN-6735_g.jpg

OAF_6872_d.JPG

 

 

Faleceu na manhã desta terça-feira (25), aos 80 anos, o ministro aposentado Álvaro Luiz Pinto, que integrou o Superior Tribunal Militar (STM) por uma década, entre 2010 e 2020.  Ele exerceu a Presidência do Tribunal no biênio 2011/2013, tendo tomado posse no cargo em 17 de março de 2011.

A ministra-presidente do STM, Maria Elizabeth Rocha, lamentou o falecimento do colega, manifestando profundo sentimento de pesar à família. "Lamento muito a perda do amigo Álvaro, ministro com quem tive uma convivência saudável e respeitosa por muitos anos. Expresso toda minha solidariedade à família, filhos e amigos do ministro", disse a presidente. 

Nascido no Rio de Janeiro, em 28 de maio de 1945, o ministro dedicou mais de cinco décadas ao serviço público, deixando uma trajetória marcada por liderança, responsabilidade e, especialmente como militar, um profundo conhecimento das operações navais.

Almirante de Esquadra da Marinha do Brasil, o ministro Álvaro Luiz Pinto iniciou sua carreira em 1961, ao ingressar no Colégio Naval. Posteriormente, seguiu para a Escola Naval, onde graduou-se Guarda-Marinha em janeiro de 1967.

Ao longo da carreira, conquistou qualificações de alto nível, entre elas o Mestrado em Ciências Navais, concluído em 1981, e o título de Doutor em Ciências Navais, obtido no Naval War College, nos Estados Unidos.

O velório será realizado na quarta-feira (26), das 13h às 15h, no Cemitério São Francisco Xavier, Capela F, localizado na Rua Monsenhor Manuel Gomes, nº 155, bairro do Caju, no Rio de Janeiro (RJ).

O ministro deixa esposa e dois filhos.

Participe nesta quinta-feira (27) do I Fórum Nacional das Mulheres Juristas, promovido pelo Superior Tribunal Militar em sua sede, em Brasília. O evento é organizado pelo Comitê Pró-Equidade e de Políticas Antidiscriminatórias.

O Fórum tem os seguintes objetivos:

- Sopesar os desafios enfrentados pelas mulheres no campo jurídico;

- Discutir os avanços e perspectivas da atuação das juristas;

- Fomentar a criação de redes de apoio mútuo;

- Incentivar a cooperação interinstitucional entre as profissionais.

A programação começa às 13:30, no Auditório do STM, e se estende até às 19:00, e contará com palestrantes de renome que você conhecer nas imagens abaixo.

As inscrições para as modalidades presencial e online podem ser feitas aqui.

Inscreva-se!

 

3.png          4.png

 

5.png         6.png

 

7.png

 

 

 

 O Superior Tribunal Militar (STM) lançou nesta segunda-feira (24) o Programa Diálogos Globais, uma iniciativa que busca aproximar a Justiça Militar da União (JMU) de instituições e especialistas nacionais e estrangeiros com o objetivo de promover o intercâmbio técnico, acadêmico e institucional sobre temas estratégicos de defesa, governança e direitos humanos –  a ideia é ampliar a função social do Judiciário.

O lançamento ocorreu durante o Seminário Internacional “Formas Inovadoras de Combate à Violência: A importância da Defesa para a Garantia dos Direitos Humanos”, promovido pelo Comitê de Governança e Relações Internacionais do STM e realizado na sede do Tribunal, em Brasília.

Ao abrir o seminário, o ministro Artur Vidigal de Oliveira destacou a relevância do encontro diante do cenário global contemporâneo: “Em um cenário de profundas e aceleradas transformações, marcadas por conflitos, avanços tecnológicos, ameaças híbridas e múltiplas manifestações de violência, o diálogo interinstitucional entre defesa, direitos humanos e instituições públicas é inequivocamente indispensável”.

O ministro observou ainda que o Poder Judiciário é cada vez mais chamado a exercer papéis ampliados, que demandam sensibilidade geopolítica, responsabilidade institucional e abertura ao diálogo, por meio da governança judicial: “Esse é o modo estratégico pelo qual o Judiciário se organiza para cumprir, com eficiência e legitimidade, o papel que lhe foi atribuído pela Constituição”.

Responsável pelo lançamento e apresentação do programa, a juíza auxiliar da Presidência do STM Bárbara Livio afirmou que a sociedade moderna, em processo de profundas transformações políticas, tecnológicas e culturais, desafia a própria ideia de soberania e exige cooperação entre as instituições, além de um papel mais amplo da Justiça.

“A violência já não se limita às fronteiras físicas. Hoje ela é digital, estrutural, simbólica. E nenhuma instituição, nenhum país, pode enfrentá-la sozinho. É nesse cenário que o Superior Tribunal Militar reafirma a sua vocação para o diálogo. Porque nós, dentro da Justiça Militar da União, não apenas julgamos processos. E há muito tempo, o juiz não é mais apenas a boca da lei”, afirmou Livio.

A juíza destacou que o Diálogos Globais traduz esse novo papel do magistrado militar: “Um papel que combina técnica, ética e compromisso social. Por isso, afirmamos com clareza: não somos apenas atores internacionais — somos atores sociais. Atuamos dentro e fora dos muros da Justiça, colaborando com as Forças Armadas, universidades, diplomatas e a sociedade civil. Promovendo paz, governança e direitos”.

Segundo a magistrada, o programa representa uma visão institucional que articula Defesa, Governança e Direitos Humanos: “Este programa não é apenas uma iniciativa administrativa. É uma visão de país. Uma visão que entende que Defesa e Direitos Humanos não se opõem, se sustentam”.

A iniciativa está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 16 da Agenda 2030 da ONU, que trata de paz, justiça e instituições eficazes.

A atividade reuniu magistrados, servidores, militares, acadêmicos, diplomatas e especialistas em geopolítica, defesa e direitos humanos, promovendo um espaço plural de reflexão sobre os desafios da Justiça no século XXI.

Na apresentação do painel "A importância da defesa para garantia dos direitos", a coronel Selma Lúcia de Moura Gonzales, do Exército Brasileiro, abordou o tema da Geopolítica e explicou que para construir o diálogo, evitar o conflito e construir a paz é fundamental compreender as dinâmicas geopolíticas locais, regionais e globais: "Para construir o diálogo, evitar o conflito e construir a paz positiva é fundamental compreender as dinâmicas geopolíticas locais, regionais e globais".

O juiz de Direito José Gomes de Araújo Filho, do Pará, apresentou o “Projeto Expedição Justiça: cidadania sem fronteiras”, iniciativa coordenada por ele e que leva serviços públicos como saúde e cidadania, além de acesso à justiça, para comunidades remotas da Amazônia brasileira.

O professor de Direito José Geraldo de Sousa Júnior, da UnB, discorreu acerca das políticas e boas intenções sobre direitos humanos, salientando, porém, que esta é uma questão que exige muito mais do que declarações, atos e dados estatísticos: exige mudança de parâmetros e comportamentos para garantir a verdadeira cidadania. 

 

 WhatsApp_Image_2025-11-24_at_14.04.43.jpeg

 WhatsApp_Image_2025-11-24_at_18.36.05.jpeg

 WhatsApp_Image_2025-11-24_at_14.17.28.jpeg

WhatsApp_Image_2025-11-24_at_15.07.28_1.jpeg

Em uma iniciativa inédita de resgate histórico e valorização institucional, o Superior Tribunal Militar (STM) lançou o livro “A Justiça Militar Brasileira na Guerra da Tríplice Aliança - 1864–1870”, obra que reúne documentos originais e análises aprofundadas sobre a atuação da Justiça Militar brasileira durante o maior conflito bélico já ocorrido na América do Sul.

O livro foi lançado no último dia 19, em Buenos Aires (Argentina), pelo ministro do STM Péricles Aurélio Lima de Queiroz e a diretora da Diretoria de Gestão de Documentos, da Memória e do Conhecimento (DIDOC), Maria Juveni Lima Borges, em evento no Auditório da Faculdade de Engenharia do Exército Argentino.

O lançamento fez parte da programação do XVI Encontro Internacional sobre as Operações Bélicas na Guerra da Tríplice Aliança, organizado pelo Instituto Argentino de História Militar, com participação de instituições históricas do Brasil, Uruguai e Paraguai.

Na ocasião, o ministro proferiu palestra baseada na obra, um trabalho conjunto da Comissão da Memória do STM e da DIDOC.  

“No front, sob o rugir dos canhões, e muitas vezes com forças inimigas a poucas léguas de distância, os Conselhos de Justiça se reuniam para ouvir testemunhas, interrogar réus, colher provas de defesa, discutir teses acusatórias e defensivas e, ao final, proferir sentenças e promover o recurso ex officio de apelação para o Conselho Supremo Militar de Justiça, sediado no Rio de Janeiro”, destaca texto de apresentação da Comissão da Memória do STM, da qual faz parte o ministro Péricles, e que foi presidida até outubro pelo ministro Marco Antônio de Farias, que se aposentou naquele mês.

No texto de apresentação da obra, a presidente do STM, Maria Elizabeth Rocha, afirma que, mais do que um registro histórico, o livro demonstra a presença do Direito e da Justiça em tempos de guerra. Destacou que a atuação dos órgãos da Justiça Militar — como os Conselhos de Guerra, de Investigação e de Disciplina — asseguraram a observância de princípios fundamentais das Forças Armadas: disciplina, hierarquia e legalidade.

“Instalados tanto nos acampamentos do Exército quanto nas embarcações da Armada Imperial, esses conselhos garantiram que, apesar das adversidades, o cumprimento da lei não fosse interrompido”, escreveu a presidente, que fez questão de registrar o mérito e o zelo do ministro Péricles e da diretora Juvani na organização da obra.

Durante o lançamento em Buenos Aires, o livro despertou a atenção e interesse especial entre pesquisadores e militares presentes. Foram distribuídos cerca de 50 exemplares, inclusive ao general de Brigada Márcio Bergo, diretor do Instituto de História e Geografia Militar do Brasil.

Também participaram do evento autoridades civis e militares, entre elas o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, e o Vice-Almirante Gilberto Santos Kerr, Diretor do Patrimônio Histórico da Marinha, além do general de Brigada Héctor Gustavo Giacosa, Diretor do Instituto Argentino de História Militar, anfitrião do encontro.

A participação brasileira no XVI Encontro Internacional sobre as Operações Bélicas na Guerra da Tríplice Aliança destacou-se pela contribuição ao aprofundamento dos estudos sobre esta guerra, especialmente no campo jurídico-militar, tema ainda pouco explorado na historiografia sul-americana.

Todo o acervo da Justiça Militar, antes restrito aos arquivos físicos do Tribunal, agora está disponível ao público no portal do STM, ampliando o acesso de pesquisadores, juristas, historiadores e cidadãos interessados na história militar e jurídica do país.

“Esta publicação (o livro) reafirma o protagonismo histórico da Corte superior mais antiga do País, cuja trajetória institucional se confunde com a própria formação do Estado brasileiro”, escreveu a ministra, na apresentação, concluindo: “Ao divulgar e valorizar sua história, o Superior Tribunal Militar reafirma seu compromisso com a memória, a segurança jurídica e a valorização das instituições que sustentam a soberania e a justiça no Brasil”.

 

 A Justiça Militar Brasileira na Guerra da Tríplice Aliança. 1864 - 1870.

 

_Imagens_para_Portal_664x432_-_2025-11-24T162636.877.png

_Imagens_para_Portal_664x432_-_2025-11-24T162348.241.png

 

 

 

O Superior Tribunal Militar promove hoje (24) o Seminário Internacional “Formas Inovadoras de Combate à Violência: A Importância da Defesa para a Garantia dos Direitos Humanos”, na sede do Tribunal, em Brasília, das 13:30 às 18:00.

ASSISTA AO VIVO AQUI

O evento marca o lançamento do Programa Diálogos Globais, iniciativa do Comitê de Governança e Relações Internacionais que visa aproximar o STM de instituições e especialistas nacionais e estrangeiros, fomentando o intercâmbio técnico, acadêmico e institucional sobre temas estratégicos de defesa, governança e direitos humanos.

O seminário reunirá magistrados, servidores, militares, acadêmicos, diplomatas e especialistas em geopolítica, defesa e direitos humanos para um debate plural e estratégico sobre o papel transformador da Justiça no século XXI.

Programa Diálogos Globais

Num contexto global em transformação, em que as fronteiras entre segurança, justiça e dignidade humana se entrelaçam, o Programa Diálogos Globais surge como um espaço permanente de reflexão e cooperação internacional, reforçando o papel da Justiça Militar da União na construção de instituições mais transparentes, eficazes e humanizadas, alinhadas ao ODS 16 da Agenda 2030 das Nações Unidas.

Participe do Seminário. A Justiça é global — e começa no diálogo.

 

Midias_sociais2_3.png 

 

A Ouvidoria da Mulher da Justiça Militar da União (JMU) deu mais um passo na luta contra o assédio no ambiente de trabalho militar. Em um evento que reforça a parceria institucional entre as Forças Armadas e a JMU em combater e, sobretudo, prevenir práticas abusivas que atentam contra a dignidade dos seus membros, a juíza e ouvidora da Mulher, Denise de Melo Moreira, levou suas experiências à Diretoria do Pessoal da Marinha (DPM), com a palestra "Assédio no âmbito das relações laborais".

A ideia do seminário, realizado na última semana (17/11), era discutir a importância de abordar o tema abertamente. Em sua palestra, Denise Moreira destacou que a prevenção é a ferramenta mais eficaz no enfrentamento do problema e que o foco reside na necessidade de abordar o tema de forma direta e educativa, desmistificando condutas e esclarecendo limites.

"Ao focar na prevenção, a Ouvidoria busca atacar as causas do assédio antes que elas se convertam em violações ou crimes, promovendo uma cultura de respeito mútuo", ressaltou a Ouvidora da Mulher da JMU.

A iniciativa parte do princípio de que a abertura do diálogo e a informação são cruciais para que a cultura de respeito prevaleça sobre a omissão e o abuso. A expectativa é que ações de capacitação como esta resultem em uma mudança cultural significativa e duradoura nas instituições.

Ao equipar militares, tanto homens quanto mulheres, com o conhecimento necessário para reconhecerem e rejeitarem condutas de assédio — seja ele moral ou sexual —, a JMU busca reduzir a incidência de casos de abuso de autoridade.

Outra ferramenta importante é fortalecer os canais de denúncia, garantindo o sigilo e o apoio às vítimas e assegurar um ambiente laboral mais saudável, ético e seguro para todos os seus integrantes.

WhatsApp_Image_2025-11-19_at_17.47.34.jpeg

 

WhatsApp_Image_2025-11-19_at_17.48.06.jpeg

A Câmara dos Deputados celebrou nesta quarta-feira (18) quatro anos de vigência da lei que reforça a proteção da dignidade das vítimas durante o processo judicial - Lei 12.245 de 2021, batizada de Lei Mariana Ferrer. A sessão solene foi presidida pela deputada Delegada Ione (Avante-MG).

O evento reuniu autoridades do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e representantes da sociedade civil. O ministro do Superior Tribunal Militar Artur Vidigal de Oliveira, a juíza auxiliar da presidência do STM Amini Haddad  e a ouvidora da Mullher da Justiça Militar da União, Denise de Melo Moreira, participaram da sessão.

Artur Vidigal, um dos cinco ministros civis da Corte, exaltou a importância da lei para a proteção da dignidade da vítima no sistema de justiça, ressaltando, no entanto, que sua existência não deveria ser necessária. “Sua existência é o recado formal de um fracasso civilizatório”, discursou o ministro na tribuna do Plenário da Câmara, ao enfatizar que a vítima, quando entra em um tribunal, busca a reparação: “Ela deveria encontrar um santuário de acolhimento e não uma nova agressão”.

Presente na cerimônia, Mariana Ferrer, vítima de violência e revitimização durante o julgamento do seu caso, foi homenageada pelas autoridades e oradores presentes.  Ela concluiu neste semestre o curso de Direito e atualmente exerce cargo de assessora na presidência do STM.

A Diretora de Relações Internacionais da Associação Paulista do Ministério Públicao, Celeste Leite do Santos, destacou em sua fala que a lei é um divisor de águas na defesa da dignidade das vítimas. “Ela não apenas coíbe condutas abusivas em audiências, mas reafirma o compromisso do Estado brasileiro com um processo penal justo e respeitoso”.

O Superior Tribunal Militar (STM) realizou nesta quarta-feira (19) a Sessão Especial de Despedida do ministro Odilson Sampaio Benzi, em virtude de sua aposentadoria. O ministro Benzi tomou posse no STM em 2014 e ocupou por 12 anos uma das quatro cadeiras destinadas ao Exército Brasileiro. Estiveram presentes à sessão os ex-ministros do STM William de Oliveira Barros, José Coêlho Ferreira e Marco Antônio de Farias, além de seus atuais colegas, familiares e convidados.

O Ministro general de exército Lourival Carvalho Silva, discursou em nome dos ministros do STM, destacando momentos marcantes da carreira do ministro Benzi. “No STM, vossa excelência demonstrou determinação, inteligência, perseverança, entusiasmo e intensa vibração”, disse Carvalho, lembrando que tais características sempre acompanharam o ministro em suas funções, seja à frente de organizações militares ou no exercício da magistratura: “Estes quase 60 anos de serviços prestados ao país o fazem merecedor do reconhecimento dos seus pares e de todos os integrantes da Justiça Militar da União. ”

Sobre a chegada da aposentadoria, o ministro Carvalho afirmou: “O tempo passa mais rápido do que podemos prever. E ainda que nos sintamos prontos e cheios de energia para a continuação da jornada, descobrimos que é hora de partir em busca de novas cavalgadas. Que o Senhor dos Exércitos continue cobrindo-o de bênçãos. E permita o choque de nossos estribos em cavalgadas futuras. Nossa melhor continência. Festa na Cavalaria!”. 

O Defensor Público da União, Afonso Carlos do Prado, em sua homenagem ao ministro Benzi destacou que o legado deixado por ele vai além de seus votos e decisões: “É o legado de quem exerceu o papel de julgador com prudência e firmeza, de quem soube como poucos conciliar a tradição das instituições militares com a necessária abertura para os desafios do direito contemporâneo".

A dimensão humana do ministro também foi lembrada e destacado pelo chefe do DPU: “Não foi uma ou duas vezes em que, dando voto contrário ao assistido da Defensoria Pública, o senhor não deixou de dar a sua explicação fora dos autos, mostrando essa sensibilidade humana além daquilo que está no papel".

A procuradora-geral da Justiça Militar em exercício, Maria de Lourdes Souza Gouveia, também fez discurso em homenagem ao ministro, enfatizando que sua carreira representa verdadeiro compromisso com o serviço público, e que sua trajetória revela a dedicação de quem compreendeu a importância das instituições: “Hoje, ao se despedir do serviço ativo, Vossa Excelência colhe, com merecimento, os frutos de uma carreira escorreita, construída à luz do dever e da responsabilidade institucional. Chega agora o momento dos frutos mais preciosos: o convívio familiar, as amizades verdadeiras, a serenidade da vida simples. ”

O ministro Benzi despediu-se dizendo que ao completar quase 12 anos como ministro, sentia-se plenamente realizado na vida pública:

 “Posso afirmar que tudo deu certo. Eu estou plenamente feliz e realizado e vou prosseguir sem levar nenhuma mágoa desse longo período de quase 60 anos". À presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, dirigiu palavras de especial reconhecimento.

 “Agradeço de modo especial a liderança serena e firme, o trato gentil e afável, o elevado espírito público e a dedicação exemplar à Justiça Militar da União", afirmou, mencionando também sua amizade com o esposo da ministra, o general de divisão Romeu Costa Ribeiro Bastos, seu antigo instrutor na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e que participou da sessão de despedida.

Aos ministros e ministras da Corte, de ontem e de hoje, o ministro Benzi registrou sua gratidão pela convivência fraterna e pelo exemplo de dedicação à missão jurisdicional. Agradeceu também aos servidores do STM e de seu gabinete, aos integrantes do Ministério Público Militar, da Defensoria Pública da União e aos advogados que atuam perante o Tribunal, manifestando admiração pela urbanidade e elevada qualidade técnica nas relações. 

Antes de encerrar, fez delicada e afetuosa homenagem à família presente e, em especial à esposa, dona Daisy, que descreveu como “mulher polivalente, onipresente, para quem nada é impossível”. Enalteceu sua dedicação profissional, acadêmica e familiar, sempre prestando suporte decisivo a sua trajetória profissional: “Tudo seria muito difícil sem você. A você, todo o meu amor. À minha família, agradeço o apoio constante e essencial ombro amigo nas adversidades. Reconheço que das conquistas alcançadas, uma grande parte deveu-se ao amor, à paciência e à retidão que sempre me ofereceram". 

Ao encerrar suas palavras, o Ministro Benzi fez referência simbólica ao universo da Cavalaria do Exército: “Chegou a hora de guardar minha sela, desembainhar minha espada e, com muito orgulho, mas sem nenhuma prepotência, dizer: missão cumprida. ”

WhatsApp_Image_2025-11-19_at_16.23.36.jpeg

WhatsApp_Image_2025-11-19_at_16.23.36_2.jpeg

WhatsApp_Image_2025-11-19_at_16.23.36_1.jpeg

WhatsApp_Image_2025-11-19_at_18.26.57_1.jpeg

WhatsApp_Image_2025-11-19_at_18.26.58_1.jpeg