A presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, participou, no último dia 31 de março, de uma solenidade na 2ª Circunscrição da Justiça Militar da União (CJM), em São Paulo, marcada por uma apresentação musical inclusiva realizada por alunos do Conservatório Municipal de Guarulhos.
Também prestigiaram o evento juízes federais da Justiça Militar da União em São Paulo, além de servidores e convidados. A Auditoria Militar — sede da primeira instância da JMU no estado — foi o palco da recepção institucional à presidente do STM, em um momento que uniu cultura, inclusão e cidadania.
A apresentação foi conduzida pelo professor de música Fábio Bonvenuto, que há 25 anos atua no Conservatório Municipal de Guarulhos e desenvolve o projeto “Música do Silêncio”. A iniciativa é voltada à inclusão e reúne alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Síndrome de Down, deficiência visual e deficiência auditiva.
O trabalho, ainda pouco conhecido do grande público, já ultrapassou fronteiras. Graças à proposta pedagógica inclusiva, o grupo foi convidado a se apresentar em Portugal, com apresentações nas cidades de Vidigueira, na região do Alentejo, e em Coimbra. Após a experiência, o Conservatório de Coimbra passou a admitir alunos atípicos em suas atividades.
Durante a solenidade na 2ª CJM, a banda formada pelos estudantes demonstrou, por meio da música, os resultados do trabalho desenvolvido ao longo dos anos. O Conservatório Municipal de Guarulhos destaca-se, inclusive, por produzir partituras em Braille, permitindo que alunos cegos não apenas sintam a música, mas também compreendam suas nuances por meio da musicografia específica.
Segundo Fábio Bonvenuto, as experiências fora do país e as trocas culturais têm papel fundamental no aprimoramento do projeto. “É um aprendizado contínuo”, afirma.
Os resultados também se refletem em trajetórias individuais. Um dos exemplos citados é o de Gabriela Lopes, que iniciou os estudos como aluna não verbal e, atualmente, atua como professora de Artes Cênicas na Academia Brasileira de Teatro.
As aulas no projeto são realizadas de forma individual, em duplas ou trios e incluem, a cada duas semanas, práticas em grupo, o que favorece a interação social entre os participantes. O projeto atende alunos a partir de 8 anos, desde que alfabetizados, e conta com participantes de até 64 anos.
Ao comentar sobre a participação de alunos surdos, o professor explica que as vibrações musicais exercem estímulos no cérebro, possibilitando o aprendizado e a interação com a música. Atualmente, o grupo conta com dois estudantes surdos, que tocam clarinete e saxofone.
A apresentação na Justiça Militar da União reforça o compromisso institucional com iniciativas que promovem inclusão, acessibilidade e valorização da diversidade, destacando o papel da cultura como instrumento de transformação social.



