Fórum de Mulheres Juristas debate invisibilidade feminina no sistema de Justiça

27/11/2025
Fórum de Mulheres Juristas debate invisibilidade feminina no sistema de Justiça

O Superior Tribunal Militar (STM) abriu um novo espaço de escuta e protagonismo feminino ao reunir em Brasília, nesta quinta-feira (27), magistrados de todo país no I Fórum Nacional de Mulheres Juristas, que nasceu com a ideia de provocar, em nível nacional, um diálogo público sobre a presença e participação das mulheres nas estruturas de poder e nos postos de decisão do sistema de justiça.

Idealizado pelo Comitê Pró-Equidade e de Políticas Antidiscriminatórias do STM, sob a coordenação da autora do projeto, a juíza auxiliar da Presidência do STM Amini Haddad, o encontro reuniu não apenas magistrados, mas também acadêmicos, advogados e representantes de coletivos femininos, como o que implementa medidas para maior participação das mulheres na política.

Ao abrir o encontro, Amini Haddad defendeu a urgência de ampliar a visibilidade e o reconhecimento das mulheres nos espaços de poder: “Este Fórum é um convite para que possamos não apenas identificar as problemáticas, mas também propor soluções inovadoras e efetivas”.

A presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, reforçou que a iniciativa rompe com a lógica histórica de invisibilidade do feminino no sistema de justiça. Apresentou um conjunto de metas e diretrizes consideradas essenciais para reverter esse cenário histórico, entre elas, cotas transitórias para acelerar a paridade, além de formação obrigatória com perspectivas de gênero em todas as instâncias do Judiciário.

Maria Elizabeth reconheceu que esse movimento exige coragem institucional: “A ausência das mulheres não é um problema das mulheres, mas da sociedade. A equidade não é um ornamento; é um imperativo civilizatório”.

A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Maria Marluce Caldas Bezerra fez um discurso emocionado, destacando a coragem e inspiração que recebeu da presidente do STM: “Eu quase desisti. Em determinado momento, quando ouvi a presidente Maria Elizabeth falando sobre a importância das mulheres, pensei muito nas mulheres que eu conheci, que me inspiraram, que estavam comigo no início da carreira no Ministério Público, e continuei”.

Presente na abertura do evento, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Phillippe Vieira de Mello Filho, afirmou que o Fórum é mais uma iniciativa para evitar que as desigualdades de gênero continuem silenciadas.

Ele lembrou que o TST possui um Comitê da Participação Feminina e relatou sua atuação na construção da Resolução 525/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina alternância de gênero nas promoções por merecimento nos tribunais. E citou avanços concretos, como o envio de listas exclusivamente femininas para cargos no TST: “Não se trata de cumprimento simbólico, mas de reconhecimento de magistradas altamente qualificadas”.

No primeiro bloco de debates do Fórum, dedicados ao tema Constituição e aos poderes do Estado, as participantes discutiram o impacto da ausência feminina na formulação das políticas públicas e na distribuição do orçamento. A jurista Patrícia Rosseti, uma das palestrantes, destacou que a baixa representação de mulheres nos espaços de decisão compromete a definição das prioridades nacionais: “A pauta feminina ainda depende de emendas parlamentares para conseguir ser implementada”.

O segundo bloco trouxe análises sobre a necessidade de protocolos judiciais equitativos e da promoção da igualdade também no ambiente do direito empresarial. A jurista Milena Fachin abordou o funcionamento das Cortes Internacionais de Direitos Humanos e a importância de interpretar a jurisprudência sob o enfoque de gênero. Ela parabenizou a trajetória da presidente do STM e ressaltou que “quando mulheres se unem para falar de justiça o direito se move”.

Ao falar sobre gênero e o processo eleitoral, a ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edilene Lôbo, aplaudiu a iniciativa do Comitê do STM e abordou em sua palestra sobre a lei 14.192 (2021), que estabelece normas para prevenir e combater a violência política contra as mulheres. “Toda violência contra a mulher é política. O Brasil não carece de lei para enfrentar essas várias dimensões da violência contra a mulher. O que o Brasil carece é de compreender que está atrasado no encontro marcado para uma vida boa para a maioria do seu povo”, afirmou.

A advogada Daniela Líbório, ao abordar a questão da misoginia e a baixa representatividade feminina na política brasileira, lançou a reflexão sobre a questão do machismo estrutural, visível, por exemplo, dentro dos partidos políticos.

forum mulheres juristas

forum mulheres juristas

forum mulheres juristas

forum mulheres juristas

forum mulheres juristas

forum mulheres juristas

forum mulheres juristas

forum mulheres juristas

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com nossos Política de Privacidade e Termos de Uso e, ao continuar navegando, você concorda com essas condições.

FECHAR MENU