DINOMAR MIRANDA DOS SANTOS

O ministro Péricles Aurélio Lima de Queiroz, do Superior Tribunal Militar (STM), determinou a imposição de medidas protetivas de urgência contra um suboficial da Marinha denunciado por assédio sexual contra uma militar trans. O caso tramita sob segredo de justiça e, por essa razão, os nomes das partes não são divulgados.

O militar foi condenado, em primeira instância, pelo Conselho Permanente de Justiça  - 1ª instância da Justiça Militar da União no Rio de Janeiro - à pena de um ano de detenção. A defesa interpôs apelação, ainda pendente de julgamento no STM.

Mesmo com o recurso em tramitação no STM, a defesa da vítima ingressou, no último dia 20 de fevereiro, com pedido de medidas protetivas. Segundo a advogada, ao retornar às atividades acadêmicas, a militar constatou a presença do réu no mesmo estabelecimento, sem que houvesse providência administrativa para assegurar o distanciamento entre ambos.

A petição sustenta que a ausência de medidas teria contribuído para a revitimização da ofendida, causando sofrimento, insegurança e agravamento do quadro psíquico já constatado nos autos.

Fundamentação da decisão

Ao analisar o pedido, o ministro relator enfrentou inicialmente a discussão sobre a aplicação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Ele reconheceu que a norma protege tanto mulheres cisgênero quanto transgênero quando a violência decorre da condição de mulher. No entanto, concluiu que, no caso concreto, não estavam presentes os requisitos legais de violência doméstica ou familiar — como vínculo familiar, relação íntima de afeto ou convivência em unidade doméstica — afastando sua incidência direta.

O ministro destacou, contudo, que a inaplicabilidade da Lei Maria da Penha não implica desproteção da vítima.

A decisão foi fundamentada no artigo 350-A do Código de Processo Penal, incluído pela Lei nº 15.280/2024, que autoriza a imposição de medidas protetivas de urgência em crimes contra a dignidade sexual. Para o relator, o delito de assédio sexual (art. 216-A do Código Penal) enquadra-se na hipótese legal. Ele também reafirmou a possibilidade de aplicação subsidiária do Código de Processo Penal comum no âmbito da Justiça Militar da União, quando compatível com o processo penal militar.

Risco à vítima e à disciplina

O relator considerou presentes indícios suficientes de autoria e materialidade, evidenciados pela condenação em primeira instância, ainda que não definitiva. Também reconheceu o risco concreto decorrente da convivência entre agressor e vítima no mesmo estabelecimento militar, onde a ofendida realiza curso de formação para habilitação à graduação de sargento.

Para o ministro, a permanência do réu no mesmo ambiente institucional poderia gerar revitimização, abalo psicológico e transmitir mensagem incompatível com a gravidade do assédio sexual, além de comprometer a credibilidade institucional.

Na decisão, o relator registrou que, embora não haja notícia de nova conduta criminosa, a condenação já proferida indica direcionamento específico da conduta em relação à vítima, o que justifica a adoção de cautelas adicionais.

Com base na legislação vigente, o STM determinou a  proibição de aproximação da vítima a menos de 100 metros, em qualquer local e horário; a proibição de contato por qualquer meio de comunicação; e a proibição de frequentar o Centro de Instrução Almirante Alexandrino enquanto a vítima estiver matriculada no curso.

As medidas foram impostas por prazo indeterminado, podendo ser revistas mediante decisão judicial. O Tribunal determinou, ainda, a comunicação imediata à Marinha do Brasil para adoção das providências administrativas necessárias ao cumprimento da decisão.

O caso

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público Militar (MPM), o crime ocorreu em 6 de fevereiro de 2024, em uma escola de formação da Marinha, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o suboficial — então comandante de Companhia — teria abordado a militar, puxando-a pelo braço, e dito em voz baixa: “Na época do navio eu não tinha coragem de te rachar, mas agora que você é mulher, se você der mole eu te racho”.

A fala faria referência ao período anterior à transição de gênero da vítima, quando ambos serviram juntos em uma fragata, em 2011.

No dia seguinte ao episódio, durante a formação matinal do curso, a cabo apresentou uma crise de ansiedade, com sintomas físicos como contrações musculares, câimbras e desmaio. Ela foi socorrida na enfermaria da escola, medicada e posteriormente encaminhada para atendimento psicológico. A militar comunicou o fato à sua comandante, que instaurou sindicância e encaminhou o caso à Justiça Militar.

Durante a instrução processual, a vítima reafirmou o teor da abordagem e relatou ter se sentido ameaçada e profundamente constrangida, especialmente em razão do ambiente militar, marcado por rígida hierarquia e disciplina. Testemunhas confirmaram mudança significativa em seu comportamento após o ocorrido, embora nenhuma tenha presenciado diretamente a conversa.

Em interrogatório, o suboficial negou a prática do crime. Sustentou que apenas cumprimentou a militar e pediu desculpas por, supostamente, ter utilizado pronome masculino ao se referir a ela. Alegou ainda atipicidade da conduta e ausência de provas materiais, afirmando que a acusação se baseava exclusivamente na palavra da vítima.

O Conselho Permanente de Justiça, contudo, entendeu que o conjunto probatório — formado pelo depoimento firme e coerente da ofendida, corroborado por testemunhas e pelos elementos que demonstraram o abalo psicológico — foi suficiente para comprovar a autoria e a materialidade do delito de assédio sexual, tipificado no artigo 216-A do Código Penal.

Na sentença, a juíza federal da Justiça Militar Mariana Aquino destacou que crimes dessa natureza frequentemente ocorrem sem testemunhas diretas, sendo legítima a valoração do depoimento da vítima quando consistente e harmônico com os demais elementos dos autos. Também ressaltou que o réu, mesmo ciente da identidade de gênero da militar, utilizou pronomes masculinos ao se referir a ela durante o interrogatório, evidenciando preconceito estrutural.

A pena de um ano de detenção foi fixada em regime inicialmente aberto, com concessão do benefício da suspensão condicional da pena (sursis) pelo prazo de dois anos. Entre as condições impostas estão o comparecimento trimestral ao Juízo da Execução e a participação obrigatória no curso online “Assédio Moral e Sexual no Trabalho”, oferecido pelo portal Saberes, do Senado Federal, com apresentação do certificado nos autos.

O Superior Tribunal Militar (STM) realiza, na próxima quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, às 16h, sessão solene de posse dos ministros Flavio Marcus Lancia Barbosa e Anisio David de Oliveira Junior, ambos generais de Exército, que passam a integrar a mais alta Corte da Justiça Militar da União.

A cerimônia ocorrerá no Plenário do STM, em Brasília (DF), com transmissão ao vivo pelo canal oficial do Tribunal no YouTube.

A solenidade contará com a presença de autoridades dos Três Poderes da República, além de integrantes das Forças Armadas, membros do Ministério Público, da advocacia e representantes da sociedade civil.

Os novos ministros ocuparão duas das quatro vagas destinadas ao Exército na composição do STM, abertas com as aposentadorias dos ministros Marco Antônio de Farias e Odilson Sampaio Benzi.

As indicações foram feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovadas pelo Senado Federal, após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e posterior votação em Plenário, conforme o rito constitucional previsto para a nomeação de ministros do Tribunal.

Posse formal perante o Plenário

Embora já investidos nos cargos desde dezembro de 2025 — quando foram formalmente empossados no âmbito interno da Corte —, os ministros serão apresentados oficialmente ao Plenário no dia 26, durante a sessão solene que marca sua integração formal às atividades colegiadas do Tribunal.

A cerimônia simboliza o início da atuação pública dos magistrados nas sessões de julgamento, consolidando sua participação nas deliberações da Corte responsável por julgar, em última instância, os crimes militares definidos em lei.

A solenidade será aberta à imprensa, mediante credenciamento prévio.

Credenciamento

Os jornalistas interessados devem realizar o cadastro por meio do link disponibilizado pelo Tribunal até quinta-feira (26).

Serviço

Data: 26 de fevereiro de 2026

Horário: 16h

Local: Plenário do Superior Tribunal Militar – Brasília/DF

Transmissão ao vivo: Canal oficial do STM no YouTube

O Juiz Federal da Justiça Militar, Rodolfo Rosa Telles Menezes, foi condecorado, no dia 12 de fevereiro de 2026, com a Medalha do Mérito Tamandaré, uma das mais tradicionais honrarias concedidas pela Marinha do Brasil.

A cerimônia ocorreu nas instalações da Capitania dos Portos do Ceará (CPCE), em Fortaleza, e reuniu autoridades civis e militares.

A distinção é destinada a personalidades e instituições que tenham prestado relevantes serviços à Marinha, contribuindo para o fortalecimento das tradições navais e das instituições militares brasileiras.

Ao conceder a medalha ao magistrado, a Força Naval reconheceu sua atuação institucional e sua contribuição ao aprimoramento das relações entre o Poder Judiciário e as Forças Armadas.

A solenidade foi conduzida pelo Capitão de Mar e Guerra Bruno Rocha de Sousa Teixeira, Capitão dos Portos do Ceará, que destacou a importância do diálogo permanente e da cooperação entre a Justiça Militar da União e a Marinha do Brasil.

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A Auditoria da 10ª Circunscrição Judiciária Militar (10ª CJM), sediada em Fortaleza (CE), promoveu, no dia 12 de fevereiro de 2026, uma tarde de debates voltada aos Assessores Jurídicos de Organizações Militares (OM) das Forças Armadas.

O encontro foi realizado no plenário da unidade judiciária e conduzido pelo diretor de Secretaria, Jussiê Saldanha Fernandes Junior.

A iniciativa teve como objetivo central o aperfeiçoamento técnico dos assessores e o fortalecimento da integração institucional entre a Justiça Militar da União e as Organizações Militares localizadas na área de jurisdição da 10ª CJM, que abrange os estados do Ceará e do Piauí.

Participaram do evento assessores jurídicos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica que atuam em diferentes OM da região. A programação contemplou debates e orientações voltadas à atuação processual e administrativa, com ênfase na padronização de procedimentos e na troca de experiências práticas.

Para garantir maior alcance e eficiência, a capacitação foi realizada em formato híbrido. Além da participação presencial no plenário da Auditoria, os assessores puderam acompanhar as atividades por videoconferência, o que possibilitou a inclusão de representantes de diversas localidades da circunscrição.

A ação integra a política institucional de aproximação com os órgãos assessorados e reforça o compromisso da Justiça Militar da União com a qualificação contínua dos profissionais que atuam na interface entre as Organizações Militares e o Poder Judiciário Militar.

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A Auditoria da 10ª Circunscrição Judiciária Militar (10ª CJM), sediada em Fortaleza (CE), promoveu, no dia 12 de fevereiro de 2026, uma tarde de debates voltada aos Assessores Jurídicos de Organizações Militares (OM) das Forças Armadas.

O encontro foi realizado no plenário da unidade judiciária e conduzido pelo diretor de Secretaria, Jussiê Saldanha Fernandes Junior.

A iniciativa teve como objetivo central o aperfeiçoamento técnico dos assessores e o fortalecimento da integração institucional entre a Justiça Militar da União e as Organizações Militares localizadas na área de jurisdição da 10ª CJM, que abrange os estados do Ceará e do Piauí.

Participaram do evento assessores jurídicos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica que atuam em diferentes OM da região. A programação contemplou debates e orientações voltadas à atuação processual e administrativa, com ênfase na padronização de procedimentos e na troca de experiências práticas.

Para garantir maior alcance e eficiência, a capacitação foi realizada em formato híbrido. Além da participação presencial no plenário da Auditoria, os assessores puderam acompanhar as atividades por videoconferência, o que possibilitou a inclusão de representantes de diversas localidades da circunscrição.

A ação integra a política institucional de aproximação com os órgãos assessorados e reforça o compromisso da Justiça Militar da União com a qualificação contínua dos profissionais que atuam na interface entre as Organizações Militares e o Poder Judiciário Militar.

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A Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Sexual e da Discriminação da Justiça Militar da União (Comprev) realizou, nesta semana, em Santa Maria (RS), uma das ações mais relevantes desde sua criação, em 2023. A cidade sediou a edição Sul do simpósio “Vozes Delas: escuta de todos”, iniciativa voltada à sensibilização e ao enfrentamento da violência de gênero no âmbito das instituições militares.

O evento ocorreu nos dias 10 e 11, na sede da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, e reuniu mais de 200 militares de diferentes organizações militares da guarnição, entre oficiais e praças. A participação masculina foi majoritária — aspecto destacado pelos organizadores como estratégico para a difusão de uma mudança cultural estruturante no ambiente castrense.

Polo estratégico

Santa Maria ocupa posição singular no cenário da Defesa Nacional. Reconhecida como a segunda maior guarnição militar do país, a cidade concentra um dos maiores contingentes e a mais diversificada estrutura de unidades do Exército Brasileiro fora do Distrito Federal.

O município abriga dezenas de organizações militares — operacionais, logísticas, de ensino, de saúde e administrativas — reunindo mais de 17 mil militares. Entre as principais unidades sediadas estão a 3ª Divisão de Exército (3ª DE), Grande Comando Operacional; a 6ª Brigada de Infantaria Blindada;  regimentos de carros de combate, cavalaria mecanizada e artilharia; além de unidades logísticas, do Hospital Geral de Santa Maria e da Base Aérea.

A escolha da cidade para sediar o simpósio levou em consideração não apenas o volume de efetivo, mas também o momento institucional: 2026 marca o início do ingresso de mulheres como soldados recrutas voluntárias no Exército Brasileiro.

Abertura e contexto institucional

A abertura oficial foi conduzida pelo juiz federal da Justiça Militar Celso Celidônio, decano da magistratura militar, que se aposentará compulsoriamente em junho deste ano. O magistrado destacou o simpósio como uma das iniciativas mais significativas já promovidas pela Auditoria Militar de Santa Maria (3ª Auditoria da 3ª Circunscrição Judiciária Militar).

Em sua manifestação, enfatizou a responsabilidade institucional diante da ampliação da presença feminina nas fileiras do Exército. “A Comprev percorre o Brasil promovendo conscientização. E este evento ocorre justamente no momento em que as primeiras recrutas chegam às organizações militares, reforçando a responsabilidade de cada um em atuar como vetor de respeito e mudança cultural”, afirmou. 

O assédio à mulher militar

A palestra de abertura foi ministrada pela juíza federal da Justiça Militar Mariana Aquino, especialista no enfrentamento à violência de gênero nas Forças Armadas e nas forças de segurança pública. Com experiência anterior como militar por mais de nove anos, a magistrada abordou os desafios estruturais enfrentados pelas mulheres na carreira castrense.

Durante sua exposição, diferenciou juridicamente assédio moral, assédio sexual e importunação sexual, destacando os impactos dessas condutas na saúde mental, na trajetória profissional e na permanência das militares nas instituições.

Com base em pesquisas acadêmicas desenvolvidas em nível de mestrado e doutorado, apresentou casos reais ocorridos em ambientes militares e policiais, evidenciando situações de objetificação, abuso de hierarquia e constrangimento. Segundo ela, práticas como insinuações de cunho sexual, propostas indevidas, contatos físicos não consentidos, uso do posto ou função para constranger subordinadas, ameaças veladas e exposição reiterada da vítima configuram violações graves e comprometem o ambiente institucional.

“É para enfrentar esse tipo de prática que estamos aqui. O combate ao assédio exige informação, responsabilização e transformação cultural”, afirmou.

Debate interinstitucional

Ainda no primeiro dia, participaram como palestrantes a desembargadora federal Tânia Regina Reckziegel, ex-conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que abordou políticas institucionais de prevenção; o professor doutor Maique Ângelo Dezordi Wermuth, que analisou o fenômeno do assédio no contexto universitário; e a desembargadora do Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul, Gabriela John dos Santos Lopes, que apresentou as medidas adotadas pela Brigada Militar e pelo Corpo de Bombeiros do Estado.

No segundo dia, representantes do Hospital Militar de Santa Maria, da Brigada Militar, da Base Aérea de Santa Maria e da Academia de Polícia Militar expuseram protocolos internos de prevenção e acolhimento às vítimas.

O juiz de direito Rafael Pagnon Cunha compartilhou a experiência da Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Santa Maria, detalhando os fluxos processuais e as medidas protetivas aplicadas.

A professora Eni de Paiva, da Universidade Federal de Santa Maria, e a diretora de pessoal do Superior Tribunal Militar, Ana Cristina Pimentel, apresentaram marcos normativos e políticas institucionais de proteção em seus respectivos órgãos. A advogada Débora Yoelz trouxe a perspectiva do setor privado sobre mecanismos de compliance e enfrentamento ao assédio no ambiente corporativo.

Compromisso institucional

O simpósio reafirma a diretriz da Justiça Militar da União de atuar não apenas na repressão judicial de condutas ilícitas, mas também na prevenção criminal por meio da informação qualificada e da formação institucional.

Ao reunir magistrados, militares, acadêmicos e gestores públicos, o “Vozes Delas” consolida-se como espaço técnico de reflexão e compromisso com a promoção de ambientes organizacionais seguros, respeitosos e compatíveis com os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da igualdade de gênero.

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A Corregedoria da Justiça Militar da União (JMU) realizou, entre os dias 9 e 11 de fevereiro de 2026, a Correição-Geral na Auditoria da 6ª Circunscrição Judiciária Militar (6ª CJM), sediada em Salvador (BA).

Os trabalhos foram abertos com a apresentação do corregedor, ministro Francisco Joseli Parente Camelo, que ressaltou a importância das correições para o fortalecimento da governança, do controle interno e da qualidade da prestação jurisdicional. A reunião contou com a presença das magistradas e dos servidores da Auditoria.

Na reunião inaugural, foram discutidos temas relacionados à estrutura organizacional da unidade, ao quadro de cargos efetivos, às novas nomeações, à execução orçamentária, ao plano de saúde, ao sorteio de conselhos, aos sistemas prisionais e às principais inconsistências identificadas no preenchimento de dados no sistema e-Proc.

No segundo dia, o ministro-corregedor e sua equipe reuniram-se com as magistradas e com o diretor de secretaria para examinar processos que impactam o cumprimento das metas nacionais do Poder Judiciário ou que apresentavam inconsistências nos registros eletrônicos. Também foram inspecionados livros obrigatórios e sistemas de controle administrativo e processual, a fim de verificar a conformidade com as diretrizes da Corregedoria.

O encerramento ocorreu no dia 11 de fevereiro, às 12h, com café da manhã institucional realizado na sede da Auditoria. O evento reuniu autoridades das Forças Armadas, além de representantes do Ministério Público Militar e da Defensoria Pública da União, com o objetivo de fortalecer a integração entre os órgãos que atuam junto à Justiça Militar da União.

Os resultados da Correição-Geral serão consolidados em relatório técnico, que será submetido ao Plenário da Justiça Militar da União, em sessão administrativa.

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A Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Sexual e da Discriminação da Justiça Militar da União (Comprev) realizou, nesta semana, em Santa Maria (RS), uma das ações mais relevantes desde sua criação, em 2023. A cidade sediou a edição Sul do simpósio “Vozes Delas: escuta de todos”, iniciativa voltada à sensibilização e ao enfrentamento da violência de gênero no âmbito das instituições militares.

O evento ocorreu nos dias 10 e 11, na sede da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, e reuniu mais de 200 militares de diferentes organizações militares da guarnição, entre oficiais e praças. A participação masculina foi majoritária — aspecto destacado pelos organizadores como estratégico para a difusão de uma mudança cultural estruturante no ambiente castrense.

Polo estratégico

Santa Maria ocupa posição singular no cenário da Defesa Nacional. Reconhecida como a segunda maior guarnição militar do país, a cidade concentra um dos maiores contingentes e a mais diversificada estrutura de unidades do Exército Brasileiro fora do Distrito Federal.

O município abriga dezenas de organizações militares — operacionais, logísticas, de ensino, de saúde e administrativas — reunindo mais de 17 mil militares. Entre as principais unidades sediadas estão a 3ª Divisão de Exército (3ª DE), Grande Comando Operacional; a 6ª Brigada de Infantaria Blindada;  regimentos de carros de combate, cavalaria mecanizada e artilharia; além de unidades logísticas, do Hospital Geral de Santa Maria e da Base Aérea.

A escolha da cidade para sediar o simpósio levou em consideração não apenas o volume de efetivo, mas também o momento institucional: 2026 marca o início do ingresso de mulheres como soldados recrutas voluntárias no Exército Brasileiro.

Abertura e contexto institucional

A abertura oficial foi conduzida pelo juiz federal da Justiça Militar Celso Celidônio, decano da magistratura militar, que se aposentará compulsoriamente em junho deste ano. O magistrado destacou o simpósio como uma das iniciativas mais significativas já promovidas pela Auditoria Militar de Santa Maria (3ª Auditoria da 3ª Circunscrição Judiciária Militar).

Em sua manifestação, enfatizou a responsabilidade institucional diante da ampliação da presença feminina nas fileiras do Exército. “A Comprev percorre o Brasil promovendo conscientização. E este evento ocorre justamente no momento em que as primeiras recrutas chegam às organizações militares, reforçando a responsabilidade de cada um em atuar como vetor de respeito e mudança cultural”, afirmou. 

O assédio à mulher militar

A palestra de abertura foi ministrada pela juíza federal da Justiça Militar Mariana Aquino, especialista no enfrentamento à violência de gênero nas Forças Armadas e nas forças de segurança pública. Com experiência anterior como militar por mais de nove anos, a magistrada abordou os desafios estruturais enfrentados pelas mulheres na carreira castrense.

Durante sua exposição, diferenciou juridicamente assédio moral, assédio sexual e importunação sexual, destacando os impactos dessas condutas na saúde mental, na trajetória profissional e na permanência das militares nas instituições.

Com base em pesquisas acadêmicas desenvolvidas em nível de mestrado e doutorado, apresentou casos reais ocorridos em ambientes militares e policiais, evidenciando situações de objetificação, abuso de hierarquia e constrangimento. Segundo ela, práticas como insinuações de cunho sexual, propostas indevidas, contatos físicos não consentidos, uso do posto ou função para constranger subordinadas, ameaças veladas e exposição reiterada da vítima configuram violações graves e comprometem o ambiente institucional.

“É para enfrentar esse tipo de prática que estamos aqui. O combate ao assédio exige informação, responsabilização e transformação cultural”, afirmou.

Debate interinstitucional

Ainda no primeiro dia, participaram como palestrantes a desembargadora federal Tânia Regina Reckziegel, ex-conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que abordou políticas institucionais de prevenção; o professor doutor Maique Ângelo Dezordi Wermuth, que analisou o fenômeno do assédio no contexto universitário; e a desembargadora do Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul, Gabriela John dos Santos Lopes, que apresentou as medidas adotadas pela Brigada Militar e pelo Corpo de Bombeiros do Estado.

No segundo dia, representantes do Hospital Militar de Santa Maria, da Brigada Militar, da Base Aérea de Santa Maria e da Academia de Polícia Militar expuseram protocolos internos de prevenção e acolhimento às vítimas.

O juiz de direito Rafael Pagnon Cunha compartilhou a experiência da Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Santa Maria, detalhando os fluxos processuais e as medidas protetivas aplicadas.

A professora Eni de Paiva, da Universidade Federal de Santa Maria, e a diretora de pessoal do Superior Tribunal Militar, Ana Cristina Pimentel, apresentaram marcos normativos e políticas institucionais de proteção em seus respectivos órgãos. A advogada Débora Yoelz trouxe a perspectiva do setor privado sobre mecanismos de compliance e enfrentamento ao assédio no ambiente corporativo.

Compromisso institucional

O simpósio reafirma a diretriz da Justiça Militar da União de atuar não apenas na repressão judicial de condutas ilícitas, mas também na prevenção criminal por meio da informação qualificada e da formação institucional.

Ao reunir magistrados, militares, acadêmicos e gestores públicos, o “Vozes Delas” consolida-se como espaço técnico de reflexão e compromisso com a promoção de ambientes organizacionais seguros, respeitosos e compatíveis com os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da igualdade de gênero.

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No último dia 12, foi realizada, na 3ª Auditoria da 3ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM), com sede em Santa Maria (RS), a cerimônia de posse da servidora Aline Oliveira Bellé, nomeada para o cargo de Analista Judiciária, área judiciária, do Quadro Permanente das Auditorias da Justiça Militar da União.

A nomeação decorre de aprovação no último concurso público do STM.

A cerimônia foi presidida pelo juiz federal da Justiça Militar Celso Celidônio, acompanhado pelo diretor de Secretaria, Mauro Cesar Maggio Sturmer.

Na ocasião, a empossada firmou o compromisso legal de exercer o cargo com lealdade, observando os deveres e atribuições funcionais, bem como as normas estabelecidas pelo Código de Ética da Justiça Militar da União.

Ao final, o magistrado deu as boas-vindas à nova analista judiciária, desejando êxito no desempenho de suas responsabilidades.

Todos os anos, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) monitora e avalia o desempenho dos tribunais na execução de políticas judiciárias por meio de indicadores de eficiência, gestão e organização de dados. O bom desempenho das Cortes é reconhecido anualmente com a concessão do Prêmio CNJ de Qualidade. Os critérios para a seleção deste e do próximo ano foram publicados e trazem algumas novidades com relação às edições anteriores.

A primeira modificação é exatamente o fato de que agora a portaria que regulamenta a honraria passou a ser bienal, neste caso com critérios únicos para os anos de 2026 e 2027. Outra atualização foi a criação de critérios específicos relacionados ao plano Pena Justa — criado para enfrentar a situação de calamidade nas prisões brasileiras —, bem como novos parâmetros voltados ao atendimento de pessoas idosas e à capacitação de equipes multiprofissionais.

Ao mesmo tempo, foram excluídos critérios cujo cumprimento já é considerado elevado ou que estavam duplicados em relação a outros itens com cálculos semelhantes. Na área da Saúde, a minuta prevê incentivo à conciliação, movimento alinhado a dados recentes apresentados durante o IV Congresso Nacional do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde (Fonajus), que apontam baixos índices de conciliação nesse campo.

As alterações apresentadas na Portaria CNJ n. 471/25 foram submetidas à consulta pública dirigida aos tribunais, que puderam apresentar impugnações aos critérios propostos. As contribuições foram recebidas até 3 de dezembro. Assim, os tribunais puderam se manifestar, de forma justificada, sobre os pontos propostos no documento. 

Participação

A análise das contribuições contou com a participação de conselheiras e conselheiros integrantes da Comissão Permanente de Gestão Estratégica, Estatística e Orçamento, do secretário de estratégia e projetos, de juízas e juízes coordenadores do Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) e do Departamento de Gestão Estratégica (DGE), além da direção executiva do DPJ e da direção do DGE.

Assim, ao conceder o reconhecimento, o CNJ estimula os tribunais a desenvolverem mecanismos de governança e gestão, além de aprimorarem a prestação jurisdicional, a transparência e a melhoria na prestação de informações. Ao mesmo tempo, a premiação incentiva o aperfeiçoamento do Sistema de Estatísticas do Poder Judiciário e dos serviços de tecnologia da informação do Poder Judiciário, fomentando o desenvolvimento de subsídios que auxiliem o planejamento estratégico e a formulação das metas nacionais.

Eixos temáticos

Concedido nas categorias Diamante, Ouro e Prata, a premiação também é definida pelo porte e segmento da Justiça: Estadual, Federal, do Trabalho, Militar Estadual, Eleitoral e Tribunais Superiores. Os tribunais concorrem de acordo com sua categoria, sendo selecionados os que atingirem maior percentual nos quatro eixos a serem avaliados. Cada tribunal premiado recebe uma logomarca eletrônica, que pode ser exibida nos respectivos sítios eletrônicos até a concessão do Prêmio CNJ de Qualidade referente ao ano seguinte.

Os quatro eixos temáticos são: Governança, Produtividade, Transparência e Dados e Tecnologia. O primeiro eixo abrange aspectos da gestão judiciária relacionados às práticas de controle, planejamento e desenvolvimento institucional dos tribunais, bem como a atuação na implementação de políticas judiciárias específicas. Para pontuação nesse aspecto, são avaliados 25 quesitos.

Entre eles estão o cumprimento da Política Nacional de Priorização do Primeiro Grau e atender ao disposto na Resolução CNJ n. 219/16 e na Resolução CNJ n. 195/14, que dispõem sobre a distribuição de servidores, de cargos em comissão, de funções de confiança e de orçamento nos órgãos do Poder Judiciário de primeiro e segundo grau, respectivamente.

A realização de atividades com ampla participação de magistrados e de servidores de todos os graus de jurisdição, contribuindo para uma gestão participativa e democrática na elaboração das metas nacionais do Poder Judiciário, também é avaliada nesse eixo.

O segundo eixo, com 15 quesitos sobre produtividade, abrange aspectos da gestão judiciária relacionados ao cumprimento das metas nacionais, à celeridade processual, à redução de acervo e ao incentivo à conciliação. O Eixo Transparência engloba aspectos da gestão judiciária relacionados ao atendimento à cidadã e ao cidadão e à disponibilização de informações públicas como mecanismos de transparência ativa. Já no quarto e último eixo, Dados e Tecnologia, são avaliados aspectos relacionados à capacidade de gestão da informação e de implementação de soluções tecnológicas para a adequada prestação jurisdicional.

A comissão avaliadora será apoiada pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ). Os resultados serão enviados para as presidências dos tribunais, com a especificação da pontuação obtida em cada requisito. O resultado do Prêmio CNJ de Qualidade será publicado no site do CNJ e a outorga aos premiados ocorrerá durante o Encontro Nacional do Poder Judiciário, em dezembro.


Agência CNJ de Notícias

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